Menina nas ruas




Crepúsculo a se sentir sob os passos de uma garota na rua
Cuja paixão, espetando o impronunciável céu, enche seus olhos
Na calçada fria treme seu pé descalço
Reflexo pálido pela luz da cidade espalhada

Enxame de trens cinzas sobre as plataformas –
À distância murmuram tristes e estridentes as locomotivas
Arrastando malas, os passageiros passam apressados
É quando carregam todos seus pensamentos em silêncio

Longe o bastante, desapareceu o trem
Tendo sido deixado apenas um vestido encharcado de sangue
E o corpo sombrio ferido, rasgado, transformado em partes de um corpo

- Puta! - Talvez não? – desdenhar dos bêbados
A cidade obscura se projeta sobre nuvens lá em cima
E no rosto permanece o medo – como uma lágrima morta.

Vinko Kalinić

(Traduzido para o Português
Bernardo Almeida, Salvador, Brasil)





Na ulici djevojka

Na ulici djevojka nijemo u sutonu korača;
njene oči pune žara dodiruju gluho nebo,
a noga bosa drhti na pločniku hladnom,
i gradska lampa blijedi odsjaj baca.

Vlakovi sivi na peronima se roje,
i jecaji lokomotive u daljini se čuju;
a putnici žure, vuku svoje torbe,
i svatko svoje misli nosi u tišini.

Daleko, u daljini, nestao je vlak;
za njim osta samo haljina u krvi,
i tmurno tijelo rastrgano u par komada.

- Kurva! – Možda i nije? – nećkaju se pijanci,
a visoko nad gradom crni oblak strši,
i na licu još strepi, sada već mrtva suza.


Zagreb, 1993.

Vinko Kalinić